~ por Barbara Mesquig
Hoje vou contar a vocês a história do melhor dia da vida de Sara, até então, o dia em que a sorte bateu em sua porta, se é que isso pode se chamar sorte.
Acordou com o irritante barulho de seu despertador, cheia de energia, pronta para começar sua nova vida... Até tropeçar em uma das caixas e cair de cara no chão.
- Mewwww – o gato berrou enquanto ela lamentava ter levantado com pé esquerdo e ter adotado um gato preto na noite anterior.
Ah... A noite anterior... Sim foi a noite, a noite em que ela chegou nesta cidade. Cheia de malas, esperou até as 23 horas por seu amigo que traria suas caixas, ele saia tarde do emprego, mas salvou sua vida, já que também seria com ele que ela moraria ali.
Sará veio para começar uma nova vida, estava decidida, organizou tudo bem rápido e se mudou , ela era bem pratica.
E hoje, lá estava ela, tomando café vendo televisão “hoje teremos um dia chuvoso”, o homem anunciava na telinha,não eram as melhores noticias, hoje ela sairia para uma entrevista de emprego.
- Já estou de saída – Anunciou para Harry, seu amigo salva vidas, colocando a cabeça para dentro da lavanderia onde ele passava uma camiseta.
- Boa sorte mana – ele a abraçou, estava sem camisa, mas quentinho apesar do frio – toma, leva um guarda chuva, é meio grande, mas pelo menos você não vai gripar – ele era como um irmão, foram criados pela mesma pessoa, praticamente cresceram juntos.
- Ah Okay, papai – brincou o fazendo revirar os olhos.
Sara saiu de casa revisando tudo o que pretendia falar em sua entrevista “moço, por favor, preciso desse emprego sou uma pobre moça que precisa pagar suas contas! Você quer que eu vá morar em um viaduto? Sou bonita de mais para isso” não ela não ia falar isso, mas bem que tinha vontade, suas condições não estavam boas, e mesmo que ser recepcionista não fosse seu sonho ela sabia que barco parado em tempestade afunda, e ela não queria afundar.
Um bom consolo é que apesar de não ser o emprego que ela queria, era na empresa que ela queria, uma agencia de moda muito conhecida, a Model’s Winter, Sara tinha 20 anos e estava cursando o segundo período de sua faculdade de moda, estar lá já era um ótimo começo, mesmo que como recepcionista.
Nossa estilista parou em frente à rua esperando o sinal fechar, o clima era cinzento e o vento frio lhe gelava o rosto, pensava sobre isso quando algo lhe chamou atenção. Uma senhora sentada no chão frio, apenas sobre um papelão, coberta por duas ou três mantas e acompanhada por dois gatos.
O que teria acontecido para ela estar ali? Há quanto tempo ela já levava aquela vida?
O que teria acontecido para ela estar ali? Há quanto tempo ela já levava aquela vida?
Todos passavam pela senhora apressados, preocupados e entretidos demais com seus próprios problemas para notar uma “senhora invisível” as margens da sociedade.
Sara de repente se sentiu mal por fazer parte dos cegos, muitas vezes, por costume ou ignorância já devia ter passado abatido por cenas desse tipo, mas hoje não foi assim.
Não pensou muito, se abaixou e ofereceu seu guarda chuva para a senhora desprotegida no relento. Ela a olhou quando o guarda chuva tocou o chão, apesar do ar de duvida nos olhos, Sara viu um brilho agradecido surgir ali, como se algo tão bom a tivesse acontecido que ela nem podia acreditar.
Sara não soube como reagir pegou o dinheiro da condução que estava separado em seu bolso e deu a ela com um sorriso sereno.
- Deus lhe abençoe minha filha – a senhora disse com sua voz fraca porem gentil, sua voz invocou nela lembranças de sua mãe, Sara era filha adotiva de uma senhora que morrera a menos de um ano, sentiu como se as palavras fossem da própria Dn. Mag, sua mãe.
- Amém – respondeu com lagrimas querendo saltar dos olhos e se levantou, com uma sensação boa, um sorriso se fixou em seu rosto. Fechou os olhos e suspirou.
“Acho que hoje será um bom dia”, pensou.
Mas como para lhe contrariar, e confundir lhe a cabeça um carro passou como um raio, um raio de maldade rente a guia onde havia uma possa gigante gerando um verdadeiro tsunami para cima de nossa amiga, Sara.
-Ahhh!! QUE OTIIMO! – Protestou irônica enquanto sinal fechava.
Garotos passaram rindo e caçoando de nossa pobre Sara “Como queria ter um revolver nesse momento...” pensou revoltada.
Não posso voltar e me trocar, se fizer isso perco a hora e pontualidade é essencial para o dono dessa empresa, pensou se lembrando do que Lila contou a ela.
Achou que é mais compreensível chegar lá molhada.
Respirou fundo mais uma vez “ É só um acidente”, ela pensou, “meu dia promete” disse para si mesma sem fazer ideia do quanto “o dia dela prometia”.
Ahhh... Pobre inocente...
Acontece que o dia de Sara realmente seria uma maravilha. Ela pegou o ônibus, ele já estava estacionando quando ela chegou no terminal.
- Nossa ainda bem que não perdi tempo xingando o motorista – ela acabou pensando alto e a mulher ao lado a olhou feio.
Ainda vou demorar pelo menos uma hora para chegar ma agencia... Pensando durante o trajeto acabou adormecendo e só acordou quando ouviu uma senhora resmungando.
- Esses jovens dormem no acento preferencial, e nem se importam com os mais velhos – seu subconsciente lhe disse...
Acorda sua anta! Você ta no lugar errado! Com um pulo acordou vendo que na verdade não estava no acento errado , mesmo assim ofereceu o lugar para a Senhora que à olhou com desdém antes de sentar com o nariz empinado.
“Velha abusada devia ter te deixado em pé reclamando e continuado minha soneca” pensou lembrando que dormiu muito menos que de costume, acordara as 5 horas da matina.
Falando nisso que horas seriam agora?
-Ai meu Deus não! São 8 horas – não pude evitar exclamar antes de se voltar para mulher que a olhava feio, talvez fosse a cara dela que era torta mesmo, pois a olhava assim desde que entrou – A senhora pode me dizer se já passamos pela rua....
- Não sou senhora – reclamou a senhora e com um bico completou – passamos por lá a uns 40 minutos.
Sara se controlou para não xingar a si mesma de todos os palavrões que conhecia.
O ônibus parou e ela desceu. Sentou-se em um dos acentos do ponto pensando seriamente em se livrar do seu gato “Ah não pobrezinho” pensou logo em seguida se lembrando que ainda tinha que comprar ração para ele.
Nesse momento o cheiro dos churros quentinhos invadiu suas narinas trazido pelo gélido vento.
Sua barriga roncou tão alto que ela procurou por nuvens de tempestade no céu, mas não tinha sido um trovão.
Resolveu então comprar um churro quando parou em frente ao carrinho sentiu um repuxar em sua blusa, olhou para baixo uma criancinha com grandes olhos pidões de gatinho do Shereck a olhava.
- Tia me dá um churro? – o garotinho pediu lhe cortando o coração.
Ela pegou sua carteira e abriu a boca erguendo a mão para pedir ao moço dois churros, sentiu uma trombada forte o bastante que a fez cair no chão seguida por um vulto.
- Haha valeu tia – aquele menino sem vergonha, corria atrás de um outro que estava com sua carteira na mão.
Praguejou alguns palavrões possessa, antes de se levantar e ver parar do outro lado da rua um ônibus vazio que ia justamente para onde ela queria.
Ainda nervosa, e falando sozinha sobre sua sorte incrível daquele dia, pois se a atravessar a rua.
Mas era uma idiota desligada! Esqueceu de olhar antes de atravessar! Percebeu o sinal aberto, já era tarde de mais, só viu suas luzes brancas brilhando na garoa que caia.
O carro brecou, ela ouviu o derrapar e só teve tempo de pensar “Droga, morri” antes de sua vida passar em frente a seus olhos.
Então veio um imenso nada.... até que alguns ruídos começaram a permear seu sub consciente, logo se tornando palavras.
- Ela esta bem, deve acordar logo – uma voz feminina muito baixa dizia.
- Obrigada – uma voz grave e rouca respondeu, era a voz de um homem.
Tentou abrir os olhos, luzes embaçadas invadiram-lhe a retina fazendo sua vista doer um pouco antes que seus olhos se acostumassem com a claridade e pudessem entender algo.
Um teto branco foi sua primeira visão.
“ Um... Não morri” seu primeiro pensamento.
- Esta acordando – ela ouviu a voz feminina dizer e se virou para ver seu rosto.
Porém antes disso viu um homem alto, jovem, trajando roupas sociais, era muito bonito.
Parabéns pela observação Sara, mas será que você não pode acordar primeiro e depois admirar o homem.
Parabéns pela observação Sara, mas será que você não pode acordar primeiro e depois admirar o homem.
Ela localizou a mulher dona da voz, provavelmente era uma enfermeira, tinha cabelos loiro acobreados presos em coque e estava vestida de branco.
Finalmente com sua consciência em ordem Sara tentou contato perguntando a primeira coisa que lhe veio a mente.
-Que horas são? – Porque é claro que essa era a coisa mais importante a se saber. Afinal ela nem estava em um hospital depois de ser atropelada.
- 12:30 – homem respondeu enquanto a enfermeira se sobressaltou.
-AHHH.... – soltou um lamentando – perdi minha entrevista.
Eles se entre olharam.
- Não gostaria de saber seu estado de saúde? – a enfermeira perguntou de forma sugestiva.
Então finalmente o lerdo cérebro de Sara percebeu a gravidade da situação.
- Caramba eu fui atropelada! Sim eu quero, me desculpe – o homem franziu o cenho enquanto a enfermeira se aproximou assentindo.
- Sua saúde está estável, seus exames não indicaram nada fora do normal, seu único ferimento foi um corte acima do joelho, porem nada grave.
- Mas por que desmaiei? – questionou Sara.
- Foi apenas uma reação do seu cérebro ao impacto – o homem respondeu cruzando os braços.
- E quem é você? – Sara de repente se tocou que nunca tinha visto aquele homem. E ele não parecia um medico, parecia modelo era muito bonito.
- Fui eu que te atropelei – simplesmente soltou, fazendo Sara arregalar os olhos “Como assim!?” – desculpa.
- Como assim você me atropelou e fala isso assim?
- Ele lhe trouxe e ficou o tempo todo aqui até você acordar – a enfermeira explicou.
Ele pode até ter feito isso apenas por obrigação, ou para evitar peso na consciência, contudo ela se sentiu grata, estranhamente grata pelo homem que a atropelou.
- Ah... valeu? – agradeceu.
Ele a acompanhou pelo hospital, enquanto pegava sua alta e até a entrada quando ela já tinha falado tudo com o médico.
- Você tem alguém para lhe buscar? - ele perguntou com as mãos no bolso da calça ao seu lado na entrada.
- Vou ligar para um amigo – explicou pegando o celular.
Apertou o botão de bloqueio... apertou de novo... De novo. Okay, tomara que só esteja descarregado.
Ela deixou os braços caírem, “será que hoje é meu dia de sorte?” pensou.
- É parece que você mão vai ligar para ele... – ele olhava de cima pelo canto do olho -era aproximadamente 10 centímetros mais alto do que ela - “Ele tá zoando com minha cara?” ela pensou “Ele não é uma boa pessoa, primeiro me atropela e agora esta tirando uma comigo” – Eu posso te dar uma carona – completou e antes que ela pudesse responder sua barriga soltou um ronco – Também posso te pagar o almoço.
Ele podia ser alguém do mal, um seqüestrador, um tarado, um atropelador talvez... Mas isso ela isso ela ia decidir durante o almoço, estava cansada, com frio e com tanta fome. E mesmo com sua “ótima sorte” decidiu arriscar.
A comida era tão boa, talvez a TPM tenha começado a dar sinal de vida, talvez fosse porque ele fosse muito bom de papo, ou talvez fosse o dia que não estava muito fácil, mas ela lhe contou todo o seu dia.
E veja só ele riu dela, zoou com ela, ele era mesmo trevoso, mas ela rio também.
-Fala sério quanta sorte você tem... – Ele falou balançando a cabeça, dando um gole em sua bebida – mas... só por curiosidade... Onde você ao fazer essa entrevista?
- Na Model’s Winter – falou colocando uma colher de pudim na boca – na verdade estou estudando para ser estilista, mas eu precisava de um emprego, como já disse.
- Uma estilista é... – ele falou num tom diferente que a fez erguer os olhos.
Ele a olhava com uma expressão... Maliciosa?
- O que foi? – perguntou com a colher pronta para entrar na boca.
- Você tem algum desenho ai? – perguntou e ela lhe deu um sketch book, a única coisa que tinha com sigo – ta contratada – soltou alguns minutos após folhear o caderno.
- O que?
- Ta contratada – reafirmou – fui com sua cara.
- Há há engraçadinho, não brinque com meus sonhos – colocou mais uma colher na boca antes de prosseguir – já não bastou me atropelar – respondeu colocando a colher na boca e ele deu um risinho de canto.
- Não estou brincando - respondeu – eu sou Josh Winter, o dono da Witer’s Modas.
O queixo de Sara caiu. Em sua cabeça veio a memória de Lila descrevendo-o “Seu nome é Josh, ele é bonitão, mas não deu bola para mim”.
Tinha deixado a colher cair fazendo um barulhão ao despencar no prato, algumas pessoas os olhavam, mas ele não se incomodou e riu.
- Bem vinda a Winter’s. – ele estendeu a mão.
Notas finais:
Oi ~ Primeiramente obrigada por ler este texto! Eu o escrevi no inicio do ano de 2017 para uma apresentação escolar, já faz bastante tempo, hoje estou escrevendo a continuação, que será publicada aqui na Hitori e também no meu wattpad, convido vocês a virem ler ^^.
Até ^3^
Ela sorriu e lhe deu a mão pensando “Quem diria no fim foi mesmo um bom dia, foi bom ser atropelada... Perder o ponto, ser roubada, era um dia se sorte afinal”....
Mas logo ela perceberá que não é bem assim... Talvez ela não tenha tirado tanta sorte assim, mas isso deixarei para vocês descobrirem juntos no próximo capitulo.
Mas logo ela perceberá que não é bem assim... Talvez ela não tenha tirado tanta sorte assim, mas isso deixarei para vocês descobrirem juntos no próximo capitulo.
Notas finais:
Oi ~ Primeiramente obrigada por ler este texto! Eu o escrevi no inicio do ano de 2017 para uma apresentação escolar, já faz bastante tempo, hoje estou escrevendo a continuação, que será publicada aqui na Hitori e também no meu wattpad, convido vocês a virem ler ^^.
Até ^3^
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